Festa de Natal_Banda Juvenil

23-01-2013 01:44

 

A Festa de Natal, foi abrilhantada pela primeira actuação oficial da Banda Juvenil da BSCRT. Fique com a entrevista ao Coordenador da Escola de Música da BSCRT e MAestro da Banda Juvenil, Filipe Ribeiro.

 

Mais do que um sonho!


Pouco passava das 15h quando aqueles meninos e meninas entraram pelo palco, 

ansiosos por brindar aquele público curioso, com a mais fantástica hora de música que poderiam ter proporcionado. A entrada em palco e a postura destes jovens artistas foi alvo de apreciação e admiração por todos os presentes – comportavam-se ali, pela primeira vez, como se fossem o grupo mais experiente de sempre. A forma como se comportaram ao longo de todo o concerto, com respeito e personalidade por quem à sua frente se apresentava foi notória. Mas, mais do que agirem como “banda experiente” desde o cumprimento do horário, até ao comportamento em palco, estes jovens músicos proporcionaram um concerto brilhante a todos os presentes.
Agitara-se nervosamente a batuta do maestro no ar e não tardámos em ouvir a pequena bandinha interpretar Air of Nobility – uma abertura da autoria de James Swearingen, que poderá ser traduzida à letra como “ares de nobreza”. Foi decerto com alguma nobreza e simplicidade que este concerto arrancou, mostrando que mesmo alguém que ainda agora dá os seus primeiros passos no mundo da música é também capaz de interpretar um tema tão imponente. Seguiu-se, da autoria de Robert W. Smith, o lindíssimo tema Lullaby for Band, onde todo um misto de temas e melodias, despertaram nos ouvintes as mais curiosas sensações. Da autoria de Ed Huckeby, a Banda Juvenil da BSCRT interpretou a obra Rising Star, descrita pelo ao autor como “um tributo ao espaço”. Os mais filósofos poderão entender esta como uma metáfora à dimensão que este projecto ambicionou e alcançou… Mas para que todo o público atingisse o apogeu da sua euforia, dois brilhantes aprendizes interpretaram, a solo e em pé, Sax Attack (de David Shaffer) – um tema inspirado nos blues ou no rock’n’roll dos 70’s. Mas o concerto não ficava por aqui! Como não poderia deixar de ser, até porque esta estreia se deu no âmbito da Festa de Natal desta casa, a BJBSCRT transportou todos numa viagem à volta do mundo com a interpretação de Jingle Bells Around the World, de Jerry Williams e terminou a interpretação de temas natalícios com Pachabel's Carols (de Andy Clark) que mistura temas da quadra com o clássico canon de Pachabel. E porque era tempo de alegria, executaram Ode to Joy – o famoso Hino à Alegria de Beethoveen (um arranjo de Randall Standridge). Para terminar em grande este magnífico concerto, a Banda Juvenil interpretou, sozinha em palco, a marcha Victory March, de Lee Shook, como hino à vitória por todos alcançada neste projecto!
Mas se há alguém que mesmo hoje, um mês depois, continua sem palavras para descrever o que sentiu esse alguém é Filipe Ribeiro – o maestro da BJBSCRT. Olhando para todo o misto de sensações que o coordenador deste projecto manifesta, podemos citar as suas palavras quando afirma “com orgulho e com toda a certeza do mundo” que, afinal, aquele “nervoso miudinho” que sentiu durante todo o dia da estreia era “nada mais do que um misto de felicidade e adrenalina em proporções extraordinárias!” . Diz mesmo que “Foi um dos dias mais importantes de todo o meu percurso na BSCRT. Ao fim de 8 anos nesta casa, embainhar uma batuta pela primeira vez, numa das maiores batalhas a que já me propus foi algo que não consigo descrever. Não consigo, por muito inspirado que me pudesse sentir, enumerar tudo o que vivi, posso apenas dizer-vos que me orgulho e muito de todo o trabalho, dedicação, empenho e esforço que fizeram e fazem comigo para chegarmos onde chegámos hoje. Alcançámos o que muitos nunca conseguiram! Calámos a boca de muita gente!”. Filipe não consegue esconder o quão orgulhoso se sentiu com todo o espectáculo que, passando o pleonasmo, foi mesmo espectacular! Como ele próprio referiu, s"aber dar um espectáculo como o de hoje requer, mais do que ambição, dedicação e sacrifício e, acima de tudo, alma de artista"
Reflectindo nas palavras deste homem, que viveu para este projecto nos últimos dois meses e meio, batalhando para ver este sonho concretizado, é impensável não transcrever, para todos aqueles que diziam "Isso não vai a lado nenhum!", "Se conseguires tocar uma peça em condições é muito!", "O quê? «Banda juvenil»? É mais «os miúdos da escolinha» a tocar qualquer coisa", "Não te preocupes, porque isso também não vai longe..." ou "Não percas tempo com isso! Estás a sonhar demais!", com todas as letras, aquilo que sempre disse: São «miúdos» mas são bons! São jovens, mas têm futuro! Ainda não são músicos perfeitos, mas vão chegar muito longe! Acreditar basta! E eu acredito neles, porque reconheço em cada um deles o talento que têm! Quem duvidou e se regorjisava que ia ser «um fracasso» antes, sequer, de esperar para ver e ouvir, engoliu todo o seu mal-dizer e sentiu-se esclarecido quanto a uma coisa: afinal, não havia margem para dúvidas! Quem se riu de mim e me achou «tolo» por «sonhar demais» engoliu em seco o seu riso e desdém.”
E hoje, graças a todos estes jovens fantásticos, diz ter ainda mais vontade de continuar, de seguir em frente, de fazer cada vez mais e melhor. Foram inúmeros os elogios que receberam do público. Comentários como “Parabéns a todos pelo trabalho demonstrado neste momento tão especial. Foi realmente o desabrochar de um grande projecto, que eu acredito que com o empenho, gosto e talento de todos irá muito longe. Parabéns Filipe. Força e coragem para continuar a elevar esta BJBSCRT. Beijinhos e mais uma vez parabéns" (Carmo Pereira) ou "Parabéns Filipe, estive sempre atento. desde os primeiros passos da banda juvenil e posso afirmar que era um projecto que só podia ter resultado num glorioso espectaculo. Agora mais do que nunca posso afirmar que a minha filha é o meu orgulho e que para isso muito contribui o Filipe e o Sr. Fernando, resumindo a Banda São Cristóvão de Rio Tinto!!!"  (Manuel Martins), entre outros, são mais do que força e motivação para a maquinaria que movimenta todo este projecto.

É por isso que é imprescindível reconhecer e agradecer o esforço e dedicação de todos os intervenientes e fazer votos de que nunca desistam e que vão à luta! Sejam ambiciosos e queiram fazer sempre mais e melhor!
São de notar as palavras da professora e diretora Andreia Reis, quando afirma “todos cumpriram o que foi pedido, todos (apesar de não parecer nos ensaios) ouviram as recomendações do Filipe e todos honraram o nosso compromisso" . Andreia diz ter de "agradecer aos meus colegas, de naipe e não só! Ao público, muito obrigada - ter a casa cheia é o melhor incentivo que qualquer músico pode ter! E público efusivo como vocês fizeram a nossa delícia. À direcção, obrigada por darem créditos a este projecto. Estes músicos são os músicos de amanhã e eles precisam de sentir apoio”.
É importante, efectivamente, reflectir na necessidade de apoio por parte dos órgãos gestores desta casa de abraçar e promover projectos destes no seio da instituição, algo que nunca fora muito pronunciável nas direcções anteriores que por aqui passaram e é hoje mais vincado por parte desta. O impulso e compreensão que dão à Escola de Música e aos projectos que lhes são apresentados é um bem maior, com uma projecção importantíssima.
Mas porque é impossível findar os elogios a esta brilhante atuação, reforçamos aqui as palavras da Andreia, parabenizando estes pequenos grandes músicos pela sua postura e arrojo e, acima de tudo, aos vários solistas que brilharam naquele palco “para além de ser o primeiro concerto, por momentos, tiveram a banda sob o vosso controle, e não se amedrontaram!”
Não é fácil fazer o que fizeram, com tão pouca ou nenhuma experiência (em alguns dos casos). Mas têm agora de caminhar em frente! Os aprendizes têm de correr pelo seu futuro como executantes. Os mais experientes, têm de apoiar os mais novos e estender-lhes a mão. Os professores têm de ser mais e mais exigentes e “espremer o sumo até à última gota”. Os percussionistas desta banda juvenil têm ainda diante de si aqueles que seguem hoje os seus passos, ao mesmo nível que eles, de igual para igual... “Temos dificuldades, temos de contar compassos e aprendemos sempre, em todos os ensaios… Toda a gente devia passar por esta experiência!”.

Mesmo para o maestro, que se estreou nestas funções, ao mesmo tempo que os seus jovens músicos se estrearam em palco como membros da primeira banda juvenil da cidade, foi tudo novo e inesperado. Mas como relembrou a professora de saxofone “Não podemos ficar à sombra da bananeira, só porque demos um bom concerto. Temos de dar sempre o máximo de nós. Começamos a entrar no ritmo certo, agora não podemos atrasar… No próximo concerto temos de ser melhores, depois melhores e depois ainda melhores! E sei que vamos conseguir, juntos, pois isto é um projecto nosso!”.
Filipe não consegue deixar de agradecer publicamente a toda a sua equipa de jovens artistas “Porque me aturam, a mim e ao meu mau feitio, porque honraram o compromisso que assumimos juntos, desde o primeiro dia, porque deram o litro, porque são um grupo fantástico e que pode ir muito longe!
Agradeço também a todos os meus colegas que se disponibilizaram a ajudar no que fosse preciso e integram a percussão da BJ, mesmo não
sendo percussionistas! Ao corpo docente da Escola de Música (de uma forma geral) por todo o apoio que dão aos alunos, contribuindo em muito, para o sucesso deste projecto! Agradeço também, especialmente, a alguém que, desde o início, acreditou
tanto neste projecto como eu, que me ajuda incondicionalmente em tudo, que não me deixou desistir e aposta em mim e em nós -

obrigado Andreia! À direcção por todo o apoio! A todos e por tudo o que mencionei hoje e aqui, o meu MUITO OBRIGADO!" 

E agora que, finalmente, chegamos ao fim desta reportagem evocamos, mais uma vez, as palavras do representante desta bandinha no que respeita ao concerto de estreia “Se foi perfeito? Como já o disse, outrora, a mim não me importa se foi perfeito ou não, porque, mesmo não tendo sido perfeito, o foi”.
A todos muitos parabéns pelo excelente trabalho e… continuem!